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Ao contrario das subidas à Table e ao Lion’s Head, contadas nos posts anteriores, subir a pé ao Signal Hill não é um programa comum.  O Signal Hill tem mais ou menos 350 m. de altura, bem mais baixo que seus vizinhos mais famosos.  Sua vantagem é que fica praticamente dentro da cidade, com as ruas de Cape Town escalando-lhe as encostas até onde for possível. Não é um programa comum porque não há nenhuma sinalização de percurso nem caminho definido, apenas diversas trilhas que se entrecruzam.  O programa clássico para esta montanha é subir de carro, pela Signal Hill Rd., uma estrada panorâmica que circunda o morro, parando no acostamento para ver primeiro o centro da cidade, depois o Waterfront, e acabar em um mirante voltado para Sea Point , a ilha Robben e o oceano.  Ao meio-dia em ponto é famoso um disparo de canhão feito do alto do morro, dizem que é ouvido a quilômetros, embora em quase dois meses de Cape Town eu nunca tenha ouvido nada.

O trajeto descrito aqui não é  somente a subida, mas uma transposição do morro, saindo do centro, subindo e depois descendo para o outro lado, acabando no bairro de Sea Point, à beira-mar. A subida é tranquila, com poucos trechos íngremes, mas um tanto deserta – melhor fazer acompanhado.   O ponto de acesso a partir do centro da cidade  é o final da Bloem St., onde ela se encontra com a Voetboog Rd.  Bem neste ponto, começa uma trilha na grama e a partir daí é só seguir em frente.  (este exato ponto está na foto acima, com o centro de Cape Town ao fundo). Não há sinalização nenhuma, então tem que ir meio pelo faro, mirando a crista do morro e perguntando, caso apareça alguém com cara confiável.

Depois de uma subida em trilha larga pela encosta, sempre tendo às costas a Table e o Lion’s Head, encontra-se a Signal Hill Rd. Não chega a ser desagradável andar por esta rodovia: esta tem pouquíssimo movimento e é razoavelmente estreita, dá pra ir andando pelo acostamento até o ponto que se vê o Waterfront (foto abaixo)  e Greenpoint chegando-se por fim ao mirante (foto mais abaixo).

 

A partir do mirante, as opções são muitas para chegar até o outro lado.  Existe um posto de informações por ali, que me deu algumas informações vagas e mandou cuidar com as cobras….xi, será que vale a pena continuar? Valeu e muito. A descida é ainda mais bonita que a subida, mais suave, acompanhando diagonalmente a descida do morro.  De vez em quando aparece um banco para descansar, prova que aquele caminho não é tão selvagem assim.  Aos poucos começam a surgirr as ruas e casas de Fresnaye, na encosta do morro, todas imensas,  com jardins e vistas invejáveis.  O ponto de saída para a cidade começa na Arcadia Rd. (que pode servir como partida no trajeto inverso), seguindo uma sequência de ruas, que descendo em ziguezague no leva até o mar de Sea Point.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Se você está disposto a uma subida em montanha em Cape Town, escolha o Lion’s Head.  Mesmo sendo mais baixo e menos famoso que a Table, a subida oferece vistas sensacionais da cidade, do mar e… da Table.  Para chegar ao topo do Lion’s Head leva-se em torno de uma hora e meia, em uma subida um pouco mais dificil que o Platteklip Gorge, descrito no post anterior, mas ainda sim razoavelmente tranquilo pra quem não é atleta.   Ao contrário da Table, aqui não há teleférico e a sinalização, quando há,  é bem rústica.

O acesso  à trilha começa na Signal Hill Rd. , onde existe um estacionamento.  Para quem não está de carro, a única alternativa é vir de táxi, que deve ser chamado novamente na hora de ir embora. No final da tarde, os locais estacionam na base da montanha e sobem a pé até o topo, substituindo a academia por um exercício bem mais prazeiroso.  No topo, vêem o por-do sol e voltam antes que anoiteça completamente.  Dizem que nas noites de lua cheia é um programão subir, usando lanternas, mas aí é pra nativo mesmo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No começo a trilha é larga e de terra batida, aos poucos vai se tornando mais rochosa e estreita,  mas sem nenhum perigo.  Existem alguns caminhos alternativos não sinalizados, que é melhor evitar, mas com algum bom senso se chega ao cume pelo caminho mais seguro.

A subida é feita em “espiral”, circundando o morro e a cada passo descortinando um novo ângulo de Cape Town: não há um segundo da subida que não tenha vistas inigualáveis para todos os lados da cidade.

 

 

O trecho final para chegar ao cume  é uma escalada em bloco de rocha íngreme e pode assustar à primeira vista (foto abaixo), mas é facilmente vencido por uma escadinha de marinheiro estrategicamente fixada nas pedras.

Ao contrário da Table, lá em cima não tem água nem champanhe esperando os caminhantes. Também não há outra forma de descer, a não ser usando outra vez as próprias pernas.  Por outro lado, são grandes as chances de você ficar sozinho lá em cima, protegido pela Table à distância e  com toda a cidade,  o mar e a Ilha Robben só para você. 

 

Subir a pé as montanhas de Cape Town não é um programa para atletas,  mas um programa familiar. Todo nativo já fez estas aventuras alguma vez na vida, na infância, com os pais ou com os amigos da escola.  A Table Mountain, o Lion’s Head e o Signal Hill,  montanhas urbanas onipresentes na paisagem, proporcionam vistas inigualáveis de seus topos, respectivamente a 1000, 700 e 350 m. de altura, mas subi-las a pé é uma experiência ainda mais rica.

Entre as três montanhas, a Table é a única que tem um sistema de teleférico, ou cablecar,  que leva ao topo em alguns segundos. A subida mecanizada é realmente imperdível e se você tiver tempo para subir uma única vez, vá pelo teleférico. A subida a pé leva em torno de duas horas, saindo de um local próximo à estação de embarque do teleférico. Na realidade, existem muitas trilhas ao topo da montanha, partindo de diversos pontos da cidade, com diversas dificuldades e riscos. Optamos pelo caminho mais curto e mais fácil, conhecido como Platteklip Gorge ou Front Table.  O caminho é bem sinalizado e incrivelmente a subida tem poucos pontos íngremes, já que faz um zigue-zague por uma fresta entre dois flancos da montanha (fotos abaixo).   Exatamente este me pareceu o ponto negativo desta subida: durante a maior parte do trajeto, fica-se à sombra da fresta, sem a vista da cidade, que afinal é o que faria valer a pena subir a pé.

                                                                                                                                                      

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Não se assuste com os  1000 m. de altura da Table:  na verdade é menos do que isto, já que o ponto de partida, na base da montanha já  está a uns 300 m. acima do nível do mar. Para chegar à base -seja para subir a pé ou de teleférico -  o mais recomendado é pegar um táxi, pois não há transporte público e as vans que eventualmente vão até lá costumam cobrar de acordo com a cara do passageiro.  Uma alternativa para quem não quer depender de ninguém é subir a pé desde o centro da cidade:  a partir do Gardens,  seguir a Hoj Ln e depois a Molteno Rd até o parque que está na base da montanha, então seguir uma trilha e chegar à base da Table.  É uma subida forte, para quem está disposto. (fiz este percurso no sentido contrário - descendo -  e foi um super passeio).

 

 

Depois do final da subida “às cegas”,  o topo da montanha parece ainda mais ainda mais fantástico, principalmente no final da tarde, quando de um lado se vê o por do sol sobre o mar e do outro a sombra da Table, se prolongando por quilômetros sobre Cape Town. 

Em resumo, acho que a subida à Table por este caminho não vale muito a pena: melhor subir pelo cablecar e gastar tempo e energia circulando pelo topo da montanha, o que já não é pouco.  Para subir a pé, vale a pena mesmo subir no Lion’s Head, no próximo post.

Cheguei em Durban numa sexta à tarde de verão. Meu simpático vizinho de poltrona no avião me ofereceu carona até meu hotel, no bairro de Morningside. Sua esposa, uma indiana linda e super chique veio nos buscar, num jipão destes que os ricos da África do Sul costumam usar. Elogiaram a localização do meu hotel e atenciosamente me deixaram na porta de casa, não sem antes insistirem que não havia nada para ver na área central da cidade e que eu deveria passar meus dois dias inteiros em Durban na praia de Uhmlanga, bairro chique a 15 km do centro. Talvez eles até tivessem razão, mas como era minha primeira vez na cidade, queria mesmo era circular no centrão.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O final da tarde de sexta foi dedicado ao reconhecimento do meu bairro (fotos acima). Morningside, que junto com Musgrave, Essenwood e Berea ocupam uma zona alta, bem residencial e com vistas lindíssimas para a praia e o centro da cidade.  É um lugar estratégico para se hospedar, seguro à noite, com bares e restaurantes legais e longe do pessoal da excursão, que fica na beira mar, na Golden Mile, que já está com seu dourado meio descascado.                                                                    

Depois de uma hidro no terracinho do hotel, com a vista aí acima, hora de sair pra explorar a noite do bairro – a pé, coisa rara na África do Sul. Na Florida Road está a melhor noite de Durban, com bares frequentados pelos locais. O melhor de todos não fica exatamente na Florida, mas ali perto, é o Bean Bag Bohemia, o melhor bar que fui em toda a viagem. Em poucos minutos, já tinha uma turma de amigos, que me “obrigaram” a comer um bunny chow, um prato local, que comi às lágrimas, de tanta pimenta, mas comi até o fim, para fazer bonito e também porque o négócio era bom demais.  Do balcão do bar, passamos ao andar de cima, onde rolava um aniversário não sei de quem e depois não tenho mais registros.  Os locais falam que em Cape Town o povo é metido e distante e que em Durban é que o bicho pega.  Acho que é verdade.  Se estas comparações não fossem sempre tontas, poderiamos dizer que se Johannesburg equivale a São Paulo e Cape Town ao Rio, então Durban é Salvador cuspido e escarrado.

 Sábado pela manhã, esquecer a ressaca e rumar ao centrão, não sem antes ver a cara de surpresa e ouvir o comentário do dono do hotel:  mas… o centro?…o centro é dos negros… E daí, branquelão?  Com um pouco de disposição, dá pra ir a pé a partir de Morningside, até porque não tem transporte público mesmo. Realmente, o centro de Durban é território dos negros, ao contrário de Cape Town, onde eles só vão para trabalhar e vão embora correndo às cinco da tarde.  Diferente do centro de Johannesburg – também exclusivamente negro – aqui os brancos podem circular na boa, sem medo, tirando fotos e curtindo a manhã de sábado com as lojas cheias de gente. 

Destino imediato: o Victoria Street Market. Este mercado se espalha pelas ruas vizinhas, vendendo o onipresente artesanato africano, temperos indianos, discos de artistas locais, carnes nojentas e tudo o mais que se possa imaginar.  Logo ao lado, a mesquita Juma Musjid, dita a maior do hemisfério sul, ajuda a desorientar ainda mais a bússola cultural do viajante.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na sequência, caminhando pela West St. (foto abaixo à esquerda), onde estão muitas lojas de departamento, chega-se à praça da prefeitura, o City Hall Square, uma praça bonita, cercada de edifícios históricos, entre eles a  própria prefeitura, a Playhouse, com cinemas, museus e teatros e o Workshop, um shopping que ocupa o edifício de uma antiga estação de trem (abaixo à direita).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mais algumas quadras e chega-se ao Victoria Embankment (foto abaixo) a parte mais antiga do porto de Durban, onde se tem bonitas vistas do mar e o BAT Centre (mais abaixo), um centrinho de artes visuais com lojas de artesanato e também coisas mais transadas, mais artísticas, camisetas, serigrafias.  Esse é o lugar para comprar algo fora do padrão.

 

 

 

 

 

 

 

 

Mais uma caminhada sob o sol e estamos no beachfront de Durban, mais precisamente no Ushaka Marine World, indicado por 10 entre 10 habitantes como a grande atração da cidade. Acho que isto merece um post específico também, mas já adianto que o lugar não é ruim não. É bem turístico, claro, uma mistura de shopping e parque temático, com guerreiros zulus surrando seus tambores sem parar, mas é só entrar no clima que a coisa rola.

O almoço foi no Moyo, um restaurante presente em outros lugares da África do Sul –  igualmente turístico, mas com comida boa (um couvert com pãezinhos inesquecíveis)  e uma super vista para a praia em frente, cheia de gente bacana. (fotos abaixo)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ao lado do Ushaka, numa pontinha de terra cinematográfica, deu para perceber que o Point Waterfront (foto abaixo), vai virar logo logo o bairro moderno da cidade, já dá para ver alguns empreendimentos imobiliários surgindo e bons hotéis já estão se estabelecendo por lá.

 

Depois do almoço, mais uma caminhada pela orla, a Golden Mile. É aqui que Durban mostra um lado mais desgastado, com um calçadão meio sujo e edifícios caídos, dá até um certo medo de andar em alguns trechos.  Mas tem trechos legais também, com vários píeres que entram mar adentro. (foto acima) Um banho de mar, só pra dizer que entrei no Índico e pronto. O mar é meia-boca, a única vantagem é que é quentinho, ao contrário de Cape Town. A caminhada termina no Suncoast Casino e sua praia particular, mas isto é programa para amanhã. Para a  volta a Morningside, um taxi, porque já foram uns 10 km hoje.

Domingo o dia seria curto, já que o vôo de volta a Cape Town era as quatro da tarde.  De manhã cedo, uma visita ao Jardim Botânico (fotos acima) e depois só praia, mais precisamente no Sundeck (fotos abaixo), a praia que pertence ao Suncoast Casino. O cassino é dispensável, mas o deck é bem legal. Para entrar paga-se o equivalente a cinco reais, com direito a cadeira em um gramado impecável. Para entrar no mar precisa sair do cercadinho, sujar o pé na areia e se misturar com o povo.

Quando fui, o estádio para a Copa estava em construção, parece que agora virou um programa que vale a pena. E Uhmlanga ficou para a próxima.

Uma das minhas alegrias na vida corporativa é que meus jovens sócios e estagiários adoram viajar e fazem viagens incríveis,  com as quais eu só sonhava quando tinha vinte e poucos anos.  Ano passado fomos todos juntos pra NY e isso mudou nossa empresa – mas é assunto pra um futuro post.  Mês que vem a Ciça vai pro Canadá ver a família, mas tá reservando uns dias em San Francisco sozinha, atitude para a qual eu dou a maior força.

Estive em SF no final do ano passado, hospedado com minha querida Valeria (olha a vista do terraço dela ai em cima!), que mora lá há anos, então fiquei com uma visão bem insider da cidade – o que não me impediu de fazer também os passeios turistões.  As melhores dicas são dela, mas acho que posso me apropriar delas. Tem umas do Luis também,  que já conhecia a cidade e me mostrou muita coisa. Muitos assuntos merecem futuros posts exclusivos, mas vou tentar dar uma geral.

Primeiro dia: entregue-se aos clichês. Caminhe pela região da Union Square/ Market St., onde estão as lojas mais tradicionais, dando uma escapada até o SF Federal Building , um prédio público (fotos abaixo), projeto dos arquitetos do Morphosis.  Vá ao SF Visitor Information Center , pegue uns mapas e compre um passe válido por 3 dias para todo o sistema de transporte, vale muito a pena. Bondinho rumo à Lombard St, almoço no Fisherman’s Wharf, bondinho de novo, Chinatown no meio da tarde e anoitecer de volta a Union Square para compras.  Pronto, você teve um dia super bacana e já pode dizer que conhece a cidade. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

À noite, jantar entre os nativos no Beretta, um bar/ restaurante de bairro (Mission), mas que tem alguns dos melhores drinks da cidade (pelo menos também é a opinião da revista GQ, descobri isto depois).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Segundo dia: direto para o Pier 41, alugar uma bike na Blazing Saddles, seguir pelo Fisherman’s Wharf, passar pela trilha bem sinalizada que leva à Golden Gate, atravessá-la e ir até o outro lado da baía, em Sausalito, em um percurso de mais ou menos 12 km. cheio de subidas e descidas.  O aluguel da bike incluirá a volta a SF de ferry, e se for no final da tarde, com o sol se pondo na Golden Gate. 

 

Este passeio é bem mais comum do que parece e tem muita gente fazendo. Acho que vale o dia e é a cara da Ciça.  Já que ela está super em forma, sugiro desviar um pouco do caminho e conhecer o bairro da Marina e esticar até a Cliff House para tomar um gatorade  e ver o Pacífico do alto do penhasco.

Terceiro dia: um dia perfeito em SF começa com o café da manhã no Dolores Park Cafe, em frente ao Dolores Park. As comidas são espetaculares e os clientes melhores ainda, só gente bonita e tecnológica. Depois, para o Golden Gate Park ver os dois novos museus da cidade, projetos de arquitetos-estrela, que ficam um na frente do outro, bem no meio do parque: o de Young, um museu de arte, projeto de Herzog & de Meuron e a California Academy of  Sciences, projeto de Renzo Piano, um dos grandes museus científicos do mundo. (Na foto abaixo, o de Young visto da Academy). O próprio Golden Gate Park já é uma grande atração e merece uma boa caminhada. 

Saindo dali, seguir rumo à Haight St., que começa em um das bordas do parque e é o epicentro do mundo hippie.  Confesso que tinha algum preconceito com este lugar, achando que a esta altura do campeonato já  era meio caído, mas levado pela Valéria em um sábado à tarde, achei um lugar vibrante, cheio de lojas e pessoas bacanas! O Luis gastou grande parte do orçamento da viagem comprando aqueles coelhinhos fumantes na loja da Kidrobot.  A Cole St. é uma tranversal da Haight e lá estão, quase frente a frente, a Pharmaca, um farmácia muito legal onde tudo é orgânico – fetiche do povo local,  e uma filial da La Boulange Bakery,   com sanduiches e doces muito bons. 

Para finalizar o dia, saindo da Cole, uma caminhada ladeira acima e depois ladeira abaixo até o Castro, (foto abaixo) para curtir o fim da tarde vendo as lojinhas, cafés e sex-shops, o povo bacana e diferente na rua, e se dar conta que férias não é só para descansar do trabalho,  mas é pra se sentir no mundo,  independente, com a auto-estima nas alturas, e no caso da Ciça, melhor arquiteta ainda.

Esta semana este blog recebeu umas das maiores honras que um blog de viagens pode ganhar: foi citado em um post do Viaje na Viagem, blog do nosso arqui-guru Ricardo Freire.  A gente acompanha e tieta em silêncio o Riq há muito tempo, pensando que cada linha que ele escreve diz exatamente o que a gente queria dizer, só que um jeito mais bacana.  Então, quando um cara destes faz uns elogios como os recebidos, fica-se até sem graça mas muito animado pra viajar e escrever mais.  Nem precisa nem dizer que os comentários do Riq multiplicaram por 100 o número de acessos diários, além disto ganhou-se comentários honrosos, como os dos também célebres blogueiros Mari Campos, Claudia Aragón , Tiago Caramuru e Paulete, de outros amigos queridos, além da mãe e da tia Tê, que acham lindo qualquer coisa que eu faça.

Melville é uma exceção entre os bairros de  Johannesburg:  aqui pode-se sair de casa ou de seu hotel, ir jantar, depois a um bar, tudo andando. Parece óbvio, mas isto não dá pra fazer nos outros bairros da cidade.  

Impossível não comparar Melville com a Vila Madalena em São Paulo: ambos começaram como bairros universitários, atraíram intelectuais e gente jovem,  se encheram de bares, depois vieram os restaurantes, depois viraram moda, depois cada um tomou o seu rumo.  Em Melville já chegaram os pequenos hotéis chiques, coisa que na Vila ninguém pensou.  Assim como a Vila, não é um lugar especialmente bonito, mas dentro de uma metrópole caótica acaba tendo seu encanto.

Todo o movimento de lojas,  bares e restaurantes bacanas acontece na 4th Ave (foto acima) e principalmente na 7th St. (fotos abaixo), que se cruzam bem no centro do bairro. A Main Road propriamente dita tem trânsito mais pesado e lugares mais caídos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Todo o resto são áreas residenciais, super arborizadas. Diferente dos outros subúrbios da cidade, aqui as casas são mais amistosas, menos muradas, não existem condomínios mega protegidos. Não há prédios e os hotéis são pequenos, na realidade casas transformadas em hospedarias e B&B. Sobre hotéis, já falei alguma coisa em um post anterior. 

Tive a impressão que é um lugar mais para bares do que para restaurantes. Como já sabia de antemão que todos estavam localizados em apenas duas ruas, de poucos quarteirões,  não me preocupei em pesquisar um especificamente, deixando para investigar in loco. Confesso que não achei nada que me chamasse atenção (em um outro bairro, Parkhurst, achei vários lugares bons, todos na mesma rua também e acabei comendo muito bem, contarei em outro post) e acabei em um japonês meio insípido e bem caro.  O  ótimo site da cidade de Johannesburg dá algumas dicas de restaurantes nesta página.  O bom guia Eat Out também lista os restaurantes de Melville aqui.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

Este é um país afeito à emotividade.  Talvez por isto, os melhores museus da  Cidade do México sejam as casas-estúdio dos seus maiores artistas, que se mantêm como foram deixadas por seus donos.  Nesta categoria, estão  o Estudio de Diego e Frida, a Casa Azul de Frida e, menos conhecida, a Casa de Luis Barragán.  Para os arquitetos, porém,  esta casa pode ser o ponto alto de uma visita ao México.

Como vários outros museus, a casa tem o irritante  costume de não permitir fotos:  a única que consegui foi roubada, do jardim através da janela, bem ruinzinha, mas que estampa este post.  As demais fotos são do site oficial.  Visitei a casa em um dia de chuva torrencial, então nem fotos externas de qualidade mínima eu consegui.

É uma visita para quem está bem interessado: não fica em um lugar turístico nem próximo a nada conhecido (embora fique ao lado da estação Constituyentes do metrô). A visita precisa ser marcada (data e hora) com antecedência por email ou telefone (ver site) e é totalmente guiada.  No meu caso, fui o único no “tour”,  então foi controle total (urghh).  A visita a um local como este exige um tempo próprio,  momentos de silêncio, de observação de detalhes – o que nem sempre é possível com uma pessoa conduzindo você. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Casa Luis Barragán foi construída em 1948 e é  uma das poucas residências tombadas como patrimônio da humanidade pela UNESCO – a única na América Latina.  Atrás de uma fachada pouco reveladora,  temos um espaço extraordinário, com profundas referências da arquitetura vernacular mexicana, dos mosteiros católicos, com um domínio da luz e das cores como poucos edifícios têm.  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A visita dura mais ou menos uma hora e é oferecida em espanhol ou inglês. Entra-se pela portaria, percorre-se as áreas de estar, biblioteca, fantasticamente mobiliados, ainda com os livros e objetos sobre as mesas. Passa-se ao estúdio, agora um espaço completamente vazio e dali para o pátio privativo dos seus assistentes.  Logo a seguir, o jardim da residência é outra demonstração da genialidade de Barragán, já que a composição da vegetação cria um fundo infinito, onde nunca se consegue definir os limites da propriedade, fazendo com que aos  nossos olhos ela se estenda indefinidamente. Da cozinha, estranhamente ouve-se vozes e barulhos de panelas: Barragán exigiu que, mesmo sendo a casa um museu, a criadagem permanecesse vivendo lá, em uma área fechada aos visitantes.

 

    

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No pavimento superior, temos a área íntima da casa, com um mezanino sobre a biblioteca, o quarto de hóspedes e a suite principal,  ligada a mais um quarto, este destinado às amantes do arquiteto, que nunca se casou. Subindo mais um nível, um terraço que se estende sobre toda a casa, completamente introvertido, cercado de altos muros, destinado unicamente à contemplação do céu

 

   

 

 

 

 

 

 

 

Mesmo que a qualidade da arquitetura explique grande parte do encantamento com a casa,  já sabemos que estamos em uma cultura onde o apelo à emoção é forte.  O que tornou esta visita memorável  para mim foram as lembranças desencontradas no tempo e no espaço que este lugar suscitou: uma tarde de verão em Cachoeira com minha vó colhendo e enchendo um copo de amoras pra me dar, uma manhã no Rosário, em Porto Alegre, indo para aula de religião, uma janela aberta, assim pela metade, com Ouro Preto lá fora.  As pequenas idiossincrasias do arquiteto na forma de viver e de projetar,  contadas quase que forma quase automática pela guia,  acrescentaram ainda uma camada de percepção: somos feitos da mesma matéria que produziu aquele lugar, de uma humanidade profunda.                                                              

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Esqueça qualquer preconceito que você possa ter com piscinas públicas: as de Sea Point são um grande programa no final da tarde.  A costa urbana de Cape Town tem praias fantásticas, mas mesmo no verão a água é sempre muito fria. Praias com areia e mar tranquilo também são poucas;  a maioria é rochosa, mais própria para os esportes do que para o simples banho.  Assim, são muitas as piscinas com água do mar ao longo deste litoral, quase todas do tipo que se enchem com a maré alta e se esvaziam na baixa.  As de Sea Point, porém, são permanentes; a água é salgada e a temperatura está sempre uns 10 graus acima da água do mar. Na entrada já tem uma plaquinha avisando as condições do dia:  água do mar, 13 graus, água da piscina, 23, o que faz uma grande diferença.

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Durante o dia, o público lembra o de uma pracinha de bairro de qualquer cidade brasileira, com mães, babás e crianças, mas nada muito cheio. No fim de semana, pode rolar rolar uma certa farofa, ok.   Mas depois das 5 da tarde nos dias de semana vira um paraíso para poucos.  Muitos vão para fazer natação,   mas  a maioria vai pra ficar de  molho na água quase morna ou deitado na grama só esperando o por do sol. 

O conjunto tem 4 piscinas, uma olímpica, uma para salto,  uma para crianças e uma para adultos. Para entrar,  paga-se o equivalente a 5 reais o ingresso mais caro.

O bonito mesmo é ver todos aqueles tons de azul das piscinas e do mar se misturando até o infinito.

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Johannesburg é uma cidade imensa, espalhada, com raros lugares onde se anda a pé.  Existem basicamente dois bairros bacanas para se hospedar:  Melville, que em termos paulistanos equivaleria a Vila Madalena e Rosebank, que não se parece com nada, mas é onde estão surgindo as lojas e hotéis mais descolados. 

Eu evitaria ficar em Sandton, uma Berrini muito mais cafona que a original, onde a maioria dos que vão a negócios se hospedam e onde estão os hotéis das grandes cadeias.  O centro (CBD), infelizmente, não é recomendável por questões de segurança. Na verdade nem existem hoteis nesta área, com exceção de um Formule 1 em Berea, que pareceu tentador , mas faltou coragem, assim, na primeira vez.  Em Soweto abriram muitos albergues para quem quer ficar imerso na cultura local, mas aí sim só para jovens e aventureiros.

Melville é o único lugar de Joburg onde você pode sair a pé do seu hotel a noite,  ir a um restaurante e depois a um bar. Em todos os outros lugares, sem exceção, você precisará pedir um táxi para ir e voltar.  Os hotéis lá são todos no estilo guest house, casas que foram adaptadas para receber hóspedes, a mais faladas são A Room With a View e a The Melville Turret, que são bem caras, mas existe uma infinidade de outras opções.

Rosebank é o bairro do momento, basicamente é formado de um conjunto central de shoppings interligados com arborizadas áreas residenciais em volta.  Existem algumas áreas em torno dos shoppings  que são amigáveis para os pedestres, raridade em Joburg. As áreas residenciais próximas são agradáveis mas um pouco sem graça, bonitas para passear mas invariavelmente iguais.  Entre os hotéis da região estão o Ten Bompas e o Clico Guest House, os novos hotéis boutiques que são novidade na cidade, além do super chique The Grace. (mas que se diferencia dos outros super chiques por ter uma localização, digamos assim, alternativa, leia-se não em Sandton).  Opção barata e decente é o Backpackers Ritz, um pouco mais afastado do centro do bairro.   Outra boa qualidade de Rosebank é que fica a meio caminho de tudo o que interessa na cidade, o que vai reduzir os gastos com taxi.

Para dar uma busca geral, um bom site local é o Where To Stay, que separa as opções por bairro e faixa de preço.

Os museus que documentam o período do apartheid estão entre as principais atrações das cidades sul-africanas. Assim são a Robben Island e District Six Museum em Cape Town.  Nenhum, porém, tem a qualidade arquitetônica do Apartheid Museum em Johannesburg,  inaugurado em 2001, projeto da equipe Mashabane Rose Associates.

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Ao invés de ter sido construído no centro de Johannesburg, que há uma década faz um esforço enorme de renovação e redução dos índices de violência, o museu foi implantado longe de tudo, na auto-estrada que leva a Soweto, praticamente inacessível por transporte público. E é só de carro, passando por aquelas cancelas automáticas de shopping, que se entra no imenso estacionamento do museu, compartilhado com o Gold Reef City, que tem o maior parque de diversões e cassino da cidade.   Inserido neste contexto de diversão e arquitetura fake, o museu inteligentemente  se fecha dentro de altos muros, com evidentes referências penitenciárias.

 

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O clima de parque de diversões se prolonga um pouco, mesmo depois de transpostos os portões do museu: ao comprar o ingresso, vc recebe junto com o ticket a sua classificação racial – branco se você for loiro de olhos azuis ou não branco se for todo o resto, de moreno claro a zulu.  Nos tempos do apartheid, isto definiria a sua porta de entrada, mas aqui é só uma cenografia -  ambas portas estão abertas e sem controle, além de levarem ao mesmo lugar:  a cobertura do prédio, onde o percurso pelo museu começa.

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Após um rápido preâmbulo a céu aberto – onde se mostra que todos, sem distinção, viemos da África – percorremos a cobertura do prédio, povoada de totens com fotografias de pessoas em tamanho natural, impressas sobre espelhos, o que faz com que os visitantes a eles se misturem. Não são imagens de heróis na luta contra o apartheid, mas gente comum, preta, branca, pobre, rica, de todas idades. O visitante apressado não presta muita atenção nestas figuras, querendo entrar logo no museu.

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Lá dentro, no salão principal sob uma foto de Johannesburg na época de sua fundação,  pequenas caixas posicionadas na altura dos olhos do observador narram a vida daquelas pessoas que vimos há pouco.  A história é contada de forma objetiva e  em poucas palavras, sem sentimentalismo ou revolta, acompanhada de fotos e objetos pessoais. Como já tínhamos visto, aqui não estão os mártires, mas seus filhos, netos, sobrinhos, amantes ou apenas gente que de alguma forma teve sua vida afetada pelos horrores daquela época.  Nessa hora não tem como não se emocionar, e a partir deste momento, viramos espectadores atentos da narrativa que se apresenta.

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O resto é o que se poderia esperar de um museu desta natureza: fotos,  depoimentos, instrumentos de tortura e repressão, sempre abrigados por uma arquitetura silenciosa, quase monocromática, de materiais crus e com algumas aberturas para o verde do exterior, para dar uma respirada de vez em quando.   

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No final, porém, se ganha um refresco, quando efusivamente é mostrado o fim do apartheid, a libertação de Mandela, as primeiras eleições,  a primeira seleção mista de rugby ganhando a copa do mundo.  De volta ao exterior do museu, estamos outra vez no meio do nada, a caminho do estacionamento, onde seu taxi ficou este tempo todo esperando.

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Na metade dos anos 90, quando acabou o apartheid, Johannesburg se tornou por algum tempo a cidade mais violenta do mundo. Depois de tantos anos de segregação forçada, era natural que houvesse algum desequilíbrio no momento em que toda a cidade fosse pela primeira vez liberada a todos.

O tempo passou, o rótulo de uma cidade de grandes demonstrações de pobreza e riqueza continua valendo, mas nem tudo são subúrbios miseráveis e mega-shoppings cafonas. É consenso que Johannesburg foi o lugar que mais se beneficiou com a democracia e o crescimento econômico da África do Sul:  a criminalidade caiu, uma nova classe média negra está em ascensão e a cidade se prepara para ser a principal sede da Copa de 2010, com grandes investimentos em transportes e na revitalização da área central.  A verdade é que Johannesburg é a grande metrópole da África, uma cidade de energia forte e  complexa mistura cultural.

Do 50. andar do Carlton Centre, no mirante envidraçado chamado “Top of Africa” , se vê a cidade em 360 graus.  Não importa para que lado, a vista é sempre meio parecida: os edifícios do centro em primeiro plano  e logo atrás os subúrbios, que se espalham por quilômetros além do que se possa enxergar. Para o norte, estão os  arborizados subúrbios ricos e o dito novo centro,  Sandton, para onde a bolsa de valores e as grandes empresas migraram quando o apartheid acabou. Para o sul – sudoeste está Soweto, onde moram os pobres, também espalhado até o infinito. No meio dos dois, o centro histórico, único lugar com prédios altos e gente andando na rua – todos negros, já que os brancos ainda tem pânico de andar por aqui a não ser de carro e com os vidros bem fechados.

 

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Os  posts iniciais deste blog falarão bastante de Joburg.  Há um ano havia pouca informação sobre a cidade na internet e quase nada  nos guias impressos. Hoje existe muito mais para pesquisar, mas a maioria das informações são estereotipadas, pouco confiáveis e cheias de preconceito.

Pra começar, a prefeitura local tem um site excelente, sem dúvida a melhor informação on line que se possa ter, com textos, mapas e os esforços para limpar a barra da cidade para a Copa de 2010.

 

vida urbana, arquitetura, viagem: este é o foco deste blog, se é que se pode dizer que este blog tem foco.

o nome veio de um trecho do Ulysses, de Joyce (ver about) . 

 sim, também serão abordados assuntos mais ordinários.

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